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Um mês para o Rosário

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O mês de outubro é também considerado o mês do Santo Rosário. Pois, dentro do nosso calendário litúrgico romano celebramos a memória de Nossa Senhora do Rosário no dia sete de outubro. Memória que foi instituída pelo Papa Pio V no aniversário da vitória dos cristãos sobre os turcos otomanos na batalha naval de Lepanto (1571), Mar da Grécia; vitória que fora atribuída à intercessão e auxílio da Santíssima Virgem Maria, invocada com a oração do Rosário. Inclusive, foi a partir daí que o Papa São Pio V inseriu na Ladainha Lauretana o título “Auxílio dos Cristãos”, atribuído à Santa Mãe de Deus. Esta vitória foi crucial para a liberdade dos cristãos e para a própria sobrevivência do cristianismo no Ocidente, visto a grande ameaça do projeto expansionista do Império Turco Otomano, que já tinha tomado Constantinopla em 1453. Assim, o Santo Rosário, que já gozava de grande popularidade entre os cristãos, diga-se de passagem, em boa parte graças ao empenho missionário de São Domingos de Gusmão, passa a gozar de uma grande e especial importância, considerado como verdadeira arma no combate contra todo tipo de investida do tirano inimigo que procura de todas as formas subjugar os filhos de Deus e aniquilar os valores evangélicos dos corações e da própria sociedade.

A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à oração da Liturgia das Horas. Contudo, uma oração não exclui a outra, antes colaboram mutuamente na meditação dos mistérios de Cristo, exercício espiritual que nos conduz tão eficazmente à intimidade com o Senhor. E esta intimidade o Santo Rosário nos proporciona pela mediação da própria Mãe do Senhor. A Jesus por Maria! 

Maria é a mulher feliz e bendita de nossa fé. Figura da Igreja, ela é a orante perfeita. Quando rezamos a ela e com ela, colocamo-nos à disposição do Pai e exaltamos com ela as maravilhas que o Senhor realizou nela e por ela em favor do mundo. Com ela e por ela elevamos nossas súplicas, oferecimentos e louvores a Deus. Quando rezamos o Santo Rosário, assim como João, o discípulo amado, nós acolhemos Maria, a Mãe de Jesus, como nossa própria Mãe e a ela nos unimos em esperança, na expectativa de também a ela nos juntarmos na feliz eternidade para sempre cantarmos os louvores de Deus.

Os Sumos Pontífices sempre louvaram e vivamente recomendaram a devoção ao Santo Rosário. Foram dezenas de bulas e cartas encíclicas a favor desta santa devoção, sem falarmos dos decretos e rescritos, muito mais numerosos ainda, oriundos das congregações romanas, pelo que fica mais que evidenciada a grandessíssima importância que o Rosário tem na vida da Igreja Católica. Só o Papa Leão XIII promulgou doze encíclicas e dez decretos ou constituições sobre o Rosário. Inclusive, foi o mesmo Leão XIII que em 1883 instituiu o mês do Rosário, fazendo-o obrigatório para toda a Igreja como verdadeira graça pontifícia.

No Brasil, desde o descobrimento até hoje, o Rosário sempre gozou da mais absoluta popularidade. No início, foi um instrumento de grande eficácia na catequese para o povo inculto, para os índios e negros, ainda sempre presente nas pregações para os mais letrados, como vemos nos sermões do Pe. Antônio Vieira. Em todas as povoações de maior importância surgiram igrejas, irmandades e confrarias do Rosário. Organizavam-se festas e procissões, que, no decorrer dos tempos, podem ter degenerado, mas eram a prova do amor do povo por Nossa Senhora do Rosário. 

Em nossos atribulados dias destes tempos tão corridos e assoberbados, pode haver quem considere ser a oração do Rosário monótona e fastidiosa. Porém, esta maneira de rezar, tão propagada pelos santos mais insignes da nossa história cristã, é fácil e simples, tanto para os cultos como para os iletrados. Há que se observar que a piedade, da mesma forma que o amor, por mais vezes que repitam as mesmas palavras, não dizem a mesma coisa, mas cada vez dizem algo de diferente, porque promanam de um sentimento de amor. E o amor é qual beleza sempre nova que eternamente se renova. Além disso, a oração do Rosário exige verdadeira simplicidade evangélica e humildade de alma, sem as quais não se é verdadeiramente cristão e nem se pode chegar ao Reino dos Céus. 

O Rosário é ainda um estímulo e uma verdadeira exortação a viver segundo as exigências evangélicas que ele desperta e cultiva em nossas almas. Sendo ele o “resumo dos evangelhos”, fortalece a fé católica, que se renova com a meditação dos santos mistérios, faz crescer a devoção a Maria, eleva o espírito a Deus e reanima a esperança na felicidade eterna.

Por fim, há que se afirmar que o maior elogio que se pode buscar para o Rosário, está no próprio Rosário, nas suas orações, nos seus mistérios que contemplamos, nos efeitos espirituais e materiais que ele produz, na sua sobrevivência e na imensa popularidade que sempre gozou entre os fiéis. E tudo isso não poderia ser mais bem ratificado senão por aquela que tem sido a maior propagadora do Rosário, muito mais que São Domingos de Gusmão e qualquer outro santo ou Pontífice: a própria Santíssima Virgem Maria, que aparecendo em Lourdes e rezando o Terço com a menina Bernadete Soubirous, mostrando-se aos três pastorinhos de Fátima e declarando ser a Senhora do Rosário e insistindo muitas vezes para que se rezasse o Rosário, fez desta devoção a mais popular e eficaz na luta contra os demônios e suas tentações.

Neste mês de outubro, mês do Santo Rosário e das Santas Missões, rezemos o Rosário e dele façamos instrumento eficacíssimo de missão evangelizadora, propagando a devoção que da forma mais simples nos proporciona a contemplação dos mistérios que nos valeram a redenção, que nos possibilitam o conhecimento de Cristo e a comunhão com Ele.

Pe. Valtemario S. Frazão Jr. 

Pároco da Basílica Nossa Senhora de Lourdes da Arquidiocese do Rio de Janeiro

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