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Um Ano para São José

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No último dia 08 de dezembro, solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o Santo Padre, o Papa Francisco, surpreendeu-nos positivamente ao convocar um “Ano de São José” com a carta apostólica “Patris Corde – Coração de Pai”. O objetivo de tal convocação é celebrar os 150 anos de proclamação de São José, Esposo de Maria, como Padroeiro Universal da Igreja Católica, fato ocorrido em 1870, também a 8 de dezembro, por iniciativa do Papa Pio IX através do decreto Quemadmodum Deus. Contudo, na carta apostólica de Francisco, como não poderia ser diferente, não somente pelo momento presente que vivemos, mas também pela linha de condução do governo pastoral do Romano Pontífice reinante, temas hodiernos como pandemia da COVID-19, imigração, dignidade da mulher e os pobres aparecem no texto como lições que brotam da Sagrada Família de Nazaré e que devem ecoar por todo o mundo de hoje.

Em Patris Corde (Coração de Pai), nome tão sugestivo para se referir a São José, o Papa Francisco afirma muito sabiamente: “Não se nasce pai, torna-se tal… E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito” (n. 7). Tal lição é haurida do próprio testemunho de São José, por quem o evangelista São Mateus garante a descendência legal de Jesus, conforme as profecias do Antigo Testamento. Daí o título de Pai Putativo do Senhor (jamais “adotivo”) atribuído a São José, ou seja, trata-se de uma paternidade jurídica, de modo que se José está excluído da concepção virginal de Jesus, da qual o autor é o Espírito Santo, por quem Maria foi verdadeiramente desposada, ele não o está do exercício do ofício da paternidade do Menino, já que ele tomou consigo a Sua Mãe como esposa. Assim, se por um lado José não teve participação alguma na concepção virginal de Jesus, por outro ele é protagonista no seu nascimento pela Lei, tanto que, novamente, São Mateus deixa muito claro que, conforme ordenamento do anjo, cabe a José dar o nome Jesus ao Menino, um direito exclusivo do pai, conforme a lei judaica. Outro elemento jurídico também de grande importância que envolve a atuação de José e que Mateus ainda põe em relevo é a sua autoridade incontestável de chefe da Sagrada Família, com todos os seus direitos e atribuições. Pois, é a ele que o anjo aparece e fala, a ele é revelado o destino do desterro, assim como também a ele será revelado mais tarde o momento do retorno; a ele tudo está sujeito: “Toma o Menino e a Mãe” (Mt 2,13). Porém, o papel de José não pode ser reduzido apenas a este aspecto legal. Até mesmo porque uma leitura mais atenta do texto bíblico demonstra que o evangelista quis ir muito mais além disso. E os Padres da Igreja já nos primeiros séculos compreenderam muito bem esta missão de amparo, de protetor e de guarda a Maria e seu Filho com iguais desvelos com a Igreja, perpetuação da presença viva de Jesus no mundo e na história humana.

Há uma profunda comunhão espiritual e de amor entre São José e Maria, pois ambos respondem afirmativamente à Palavra de Deus com o seu “fiat” (sim ou faça-se): ela dizendo ao anjo “faça-se em mim conforme tua palavra” (Lc 1,38) e ele obedecendo ao mensageiro divino, pois “fez como lhe ordenara o anjo e recebeu sua esposa” (Mt 1,24).

A união conjugal de José com Maria é este fundamento legal da paternidade que ele exerceu e a qual já aludimos anteriormente. Diante da lei mosaica, o Menino Jesus era seu Filho. E isto leva a uma maior e mais aprofundada compreensão da extraordinária vocação paternal com a qual quis Deus abençoar o Santo Patriarca reservando-lhe um papel tão singular na nossa redenção.

Como Pai Putativo de Jesus, Esposo de Maria e, portanto, Guarda da Sacra Família, é gesto piedoso a ele recorrer em momentos difíceis para a Igreja. Com efeito, já foi esta motivação que levou o Papa Pio IX a confiar a Santa Igreja à preciosa proteção de São José, declarando-o “Patrono Universal da Igreja”. E o Papa Leão XIII a afirmar na encíclica Quaquam Pluries os motivos de tão grande confiança: “De modo análogo àquele com que outrora costumava socorrer santamente em todo e qualquer acontecimento a Família de Nazaré, também agora cubra e defenda com seu celeste patrocínio a Igreja de Cristo”. E ainda João Paulo II na exortação apostólica Redemptoris Custos: “Hoje ainda temos motivos que perduram para recomendar todos e cada um dos homens a São José” (n. 31).

Papa Francisco declara que o objetivo de Patris Corde é aumentar o amor por este grande santo, para nos sentirmos impelidos a implorar a sua intercessão e para imitarmos as suas virtudes e o seu desvelo. Com efeito, a força de sua interseção e exemplo deve ser especialmente evocada em favor da família cristã. Pois a família é a célula da sociedade e a base da reconstrução religiosa, tão necessária neste momento crucial da história humana. Neste sentido, a importância de nosso apelo a São José aumenta na medida em que aumentam as dificuldades pelas quais passam a Igreja e o mundo.

A pandemia da COVID-19 elevou a potencias ainda incalculáveis as graves crises pelas quais já passava a humanidade em vários ambientes: imigração, desemprego, miséria, violência, perseguição religiosa, etc, temas atuais que são elucidados pelo Romano Pontífice em Patris Corde como denúncia profética de quem não se deixou contaminar pela ataraxia moral que torna tantos corações insensíveis diante do sofrimento humano, o que é compreensível, visto que se multiplicam e se repetem cotidianamente os males que assolam os mais vulneráveis. Contudo, se é compreensível, jamais será natural e moralmente aceitável. Neste sentido, o nosso apostolado concreto deve ser reflexo de nossa fidelidade a São José e de nossa coerência cristã. Pois a humildade, o labor e o comprometimento deste glorioso patriarca são retumbante modelo para o aperfeiçoamento da prática religiosa.

Que o Carpinteiro de Nazaré, Guarda da Sacra Família, proteja e defenda a Igreja, continuação mística de Seu Filho Jesus no mundo, de todos os ataques do inimigo tentador e daqueles que o servem, a fim de que ela goze sempre de liberdade no serviço a Deus e aos homens.

Pe. Valtemario S. Frazão Jr.

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