Saiba o que é Totus Tuus

Convém responder a esta pergunta, pois o lado misterioso desta doutrina, este segredo, parece, à primeira vista, em oposição com a doutrina da Igreja, que é sempre clara, precisa, ao alcance de todos. 

Sim, tal doutrina é plenamente aprovada pela Santa Igreja. E a sua prática entra plenamente no espírito do Evangelho.

O Evangelho, como diz o Apóstolo, é um escândalo para os judeus e uma loucura para os gentios (1 Cor 1,23); como a sabedoria deste mundo – diz o mesmo Apóstolo – é loucura perante Deus (1 Cor 3,19).

Basta averiguar que o fim desta devoção é a humildade, a renúncia de nós mesmos e o espírito de sacrifício, para se poder dizer que é uma doutrina profundamente evangélica.

Podemos ajuntar a este argumento mais um outro de grande valor; é que tal devoção é um meio de amor mais ardente à Mãe de Jesus, amor que a Igreja procura sempre incutir com tamanha insistência. Ora, assim sendo, já se vê que, praticando-a, estamos plenamente com o ensino do Evangelho e da Igreja. 

Há muito por onde desconfiar da doutrina que leva ao comodismo e afasta de Maria Santíssima; mas podemos absolutamente confiar no ensino que estimula à penitência e aproxima as almas da Santíssima Virgem. Penitência e amor de Maria – estes são os dois caracteres da doutrina cristã, as duas asas da alma fervorosa, os dois luzeiros da verdadeira fé.

Vamos agora de maneira mais particular citar as aprovações de alguns papas, para indicar documentos autênticos da Santa Sé. 

O Procurador Geral da Companhia de Maria, numa audiência, disse ao Papa: “Vossa Santidade deseja, sem dúvida, como nós, que a verdadeira devoção, ensinada por São Luís Maria Grignion de Montfort, se espalhe cada vez mais… E há de desculpar-me se venho pedir-lhe uma bênção especial e estímulo”.

Mal acabara de falar, e o Santo Padre, estendendo a mão, com um sorriso afirmativo, tomou a “súplica” escrita do Procurador, leu-a, e, apenas findada a leitura, tomou a pena, e escreveu em baixo estas linhas: “Acedendo a vosso pedido, recomendamos vivamente o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem, tão admiravelmente escrito por São Luís Maria Grignion de Montfort; e a quantos lerem este Tratado concedemos de todo o coração, a bênção apostólica.” (27 de dezembro de 1908
Pio P.P.X”)

Uma recomendação tão solícita e vinda de tão alto deve, necessariamente, produzir uma forte impressão nos corações católicos. Ao receber o documento, o Procurador disse: “Esse livrinho já fez um grande bem; recomendado agora por vossa Santidade, ele há de fazer muito mais no futuro”.

“Ele é verdadeiramente belo!” – Respondeu o Santo Padre, com convicção.
Sob o pontificado de São Pio X foi a santa escravidão definitivamente organizada em associação, tanto para esses sacerdotes, como para os simples fiéis. A Arquiconfraria de Nossa Senhora, cujo fim é a prática da santa escravidão, foi ereta canonicamente pelo Papa São Pio X a 28 de abril de 1913.

Quanto à Associação dos Padres de Maria, já existia praticamente, mas foi canonicamente organizada no Congresso Mariano de Einsideln (Suíça – 1906), tendo como protetores os Cardeais Vannutelli e Vives.

São Pio X foi o primeiro a inscrever-se nela, figurando, pois o seu nome no cabeçalho da lista dos sacerdotes consagrados a Maria Santíssima.

7. Bento XV – Não foi menos devoto à Santa Escravidão. A 28 de abril de 1916 por ocasião do segundo centenário de São Luís Maria Grignion de Montfort, enviou  uma carta autografa ao Superior da Congregação de Maria, na qual disse: “A verdadeira devoção à Santíssima Virgem” é um livro pequeno em tamanho, mas de uma grande autoridade, e de grande unção. Possa ele espalhar-se mais e mais, e avivar o espírito cristão num grande número de almas!”.

Em face dessas autoridades, é forçoso concluir que a santa escravidão não é uma novidade, uma doutrina sem aprovação da Igreja.  Ao contrário, deve brotar, como o provamos, dos mais sagrados dogmas de nossa religião, qual conclusão lógica de premissas certas.

Uma vida tão santa, os muitos milagres, e, sobretudo a beatificação de seu autor, já seria uma prova suficiente de que a santa escravidão é conforme ao ensino da Igreja.
É, entretanto, bom e reconfortante ouvir a aprovação dada a incitar os cristãos a uma tão bela prática.

Papa João Paulo II – Escravo por amor, TOTUS TUUS

O Papa João Paulo II expressava um grande amor à Santíssima Virgem. Tanto, que escolheu para seu lema de pontificado, o “Totus Tuus” – Todo teu, ó Maria!

Quando seminarista leu o Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem Maria. Sua devoção a Nossa Senhora, desde então, tornou-se mais intensa. Como ele próprio disse: “A leitura deste livro marcou em minha vida uma transformação decisiva… A consciência foi que a devoção de minha infância e mesmo de minha juventude para com a Mãe de Cristo ganhou uma nova dimensão… Enquanto antes me mostrava reservado, com medo de que a devoção a Maria pudesse deixar Cristo na sombra, em vez de lhe dar prioridade, entendi agora, à luz do Tratado de Grignion de Montfort, que a realidade é totalmente diferente. A devoção a Maria, que tomou assim uma forma determinada, continuou viva em mim. Tornou-se uma parte integrante da minha vida interior e de meu conhecimento espiritual de Deus.”

Em uma carta do Papa João Paulo II, do dia 15 de agosto de 1984, por ocasião da celebração de XXV aniversário da consagração da Itália ao Coração Imaculado de Maria explica os fundamentos bíblicos e teológicos da Consagração à Santíssima Virgem: 

“O significado antigo da consagração à Virgem Santíssima consiste não apenas num efêmero gesto devocional, mas na acolhida filial daquela que Cristo nos deu por Mãe na ordem da graça, na pessoa do discípulo amado (cf. Jo 19, 25-27). Tal relacionamento direto e permanente com Maria na oração, na disponibilidade ao seu influxo e na assimilação das suas atitudes evangélicas, por sua vez transforma-se em um caminho de fidelidade a Cristo, de docilidade ao Espírito Santo, de comunhão de amor com o Pai e de vida eclesial. Espero, portanto, que o renovado empenho de consagração a Maria seja visto e vivido em referência à história da salvação, ‘como modo seguro para realizar a aliança com Deus’, restabelecida por Jesus Cristo no Mistério Pascal e efetuada pelos cristãos no batismo, na confirmação e na Eucaristia. Consagrados a Deus por iniciativa gratuita do amor misericordioso, devemos viver para Ele, oferecendo a nossa pessoa ‘como sacrifício vivente, santo, agradável a Deus’ (Rm 12,1) sob o exemplo de Maria, a Virgem consagrada ao Senhor.”

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