Apelo à Fé

Os Apelos da Mensagem de Fátima

Meu Deus eu Creio

Estávamos na Primavera de 1916… Suponho-me, porque então, como criança, não me preocupava de datas, possivelmente nem saberia a quantos se estava no mês! Nessa altura, pois, encontrando-se os humildes pastorinhos de Fátima, na encosta do chamado monte do “Cabeço”, ao abrigo de uma rocha a que deram o nome de “Loca”, viram a certa distância um jovem, como se fosse de luz, que se aproximava e, ao chegar junto deles, disse: “Não temais. Sou o Anjo da paz. Orai comigo”. E ajoelhando por terra, curvou a fronte até o chão, repetindo três vezes as seguintes palavras: “Meu Deus, eu creio, adoro, espero e amo-vos. Peço-vos perdão para os que não creem, não adoram, não esperam e não vos amam”. Em seguida ergueu-se e concluiu dizendo: “Orai assim; os Corações de Jesus e Maria estão atentos à voz das vossas súplicas”. O primeiro apelo, que Deus nos dirige aqui por meio do Seu enviado, é um apelo à Fé: Meu Deus eu creio! A fé está na base de toda a vida espiritual. É pela fé que acreditamos na existência de Deus, no Seu poder, na Sua sabedoria, na Sua misericórdia, na Sua obra redentora, no Seu perdão e no seu amor de Pai.

É pela fé, que acreditamos na Igreja de Deus, fundada por Jesus Cristo, e na Doutrina que ela nos transmite e por meio da qual seremos salvos. É a luz da fé que vemos Cristo nos nossos irmãos, que os amamos, servimos e ajudamos, quando precisam do nosso auxílio. É ainda pela fé que nos vem à certeza da presença de Deus em nós; de que estamos sempre sob o olhar de Deus. É este olhar de Luz, omnipotente e imenso, que se estende por toda parte, que tudo vê tudo penetra, com nitidez única e própria só do Sol Divino, face ao qual o sol, que vemos e nos alumia, não é mais que um pálido reflexo, uma ténue centelha emanada da Luz do imenso Ser que é Deus. Isto que acabo de dizer-vos, não é novo; di-lo já S. João, no início do seu Evangelho: “No princípio já existia o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava, no princípio, com Deus. Tudo começou a existir por meio d’Ele, e sem Ele nada foi criado. N’Ele estava a Vida e a Vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a admitiram” (Jo 1,1-5). Nesta passagem, S. João fala-nos do Ser eterno do Verbo de Deus; diz-nos que tudo por Ele foi criado; tudo recebeu d’Ele o ser que tem. No Seu poder, bondade e sabedoria infinita, Deus comunica a tudo quanto existe os dons necessários à sua subsistência. Por isso, tudo depende d’Ele, e sem Ele nada pode continuar a existir.

  1. João fala-nos também da luz de Deus, dizendo que essa luz é a nossa vida: “N’Ele estava a Vida e a Vida era a luz dos homens”. Assim, a nossa vida é uma centelha da luz de Deus a refulgir em nós. Partiu de Deus a para Deus há- de voltar, se o pecado não a afastar. Estas verdades abrem à nossa frente caminhos de luz; depende de nós o querer segui-lo. Tudo quanto existe é uma manifestação de Deus, da sua obra criadora, providente e redentora.
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