fbpx

Fidelidade ao Santo Padre

 em Artigos

Vivemos tempos de muita polarização política e ideológica, que divide as pessoas e torna nossa sociedade cada vez mais fragmentada. A Igreja, por sua vez, não fica imune a esta polarização. Porém, tal realidade torna-se ameaça gravíssima para nós católicos quando atenta contra a própria unidade e identidade do corpo eclesial. É evidente que a unidade da Igreja não acaba com a diversidade dos seus membros e nem deve ser confundida com a uniformidade dos mesmos. Entretanto, a unidade da Igreja é expressa de modo visível na pessoa do Romano Pontífice. É ele a imagem visível da unidade de toda a Igreja. E a fidelidade e a obediência ao Santo Padre é um dado fundamental de nossa fé. Contam que no Japão, após sua abertura ao mundo no século XIX, os descendentes dos mártires, vítimas de séculos de perseguição religiosa, reconheceram os novos missionários aí chegados em 1865 como sucessores de seus antigos padres, seus primeiros evangelizadores, a partir de três características fundamentais: a autoridade do Papa de Roma, a veneração à Santíssima Virgem Maria e o celibato sacerdotal. O que restava do catolicismo no Japão daquele tempo eram exatamente estes três elementos aparentemente de menor importância, mas que naquelas circunstâncias identificavam muito mais que os artigos fundamentais da fé, tais como os mistérios da encarnação, da redenção ou ainda da Santíssima Trindade.

A atitude básica do bom católico para com o Romano Pontífice é de filial devoção, que a própria fé exige de nós para com o sucessor de Pedro, não importa quem ele seja, o seu estilo pessoal ou as suas limitações humanas. Ele é a imagem visível de Cristo e da própria unidade da Igreja.

Ora, a fé numa divindade criadora é comum a todas as religiões, a fé em Cristo é comum a todas as confissões religiosas cristãs, mas a obediência ao Papa, sucessor de Pedro, pedra fundamental sobre a qual Cristo edificou a sua Igreja, assinala a identidade católica. E foi exatamente nesta realidade que os descendentes dos mártires japoneses se pautaram para identificar a fé pela qual seus antepassados deram a vida com o derramamento de sangue. Da mesma forma, nós também hoje devemos reconhecer a catolicidade de um bispo, padre, agente de pastoral ou mesmo um digital influencer pela sua pregação, se é ou não em conformidade com os princípios de obediência, fidelidade e filial devoção ao Papa. É evidente que obediência não significa e nem pode ser confundida com subserviência, mas questionar o Papa é questionar a rocha sobre a qual Cristo quis edificar a sua Igreja. E fomentar comportamentos de oposição ao seu governo pastoral é verdadeiramente diabólico em toda plenitude da palavra, pois o Diabo é aquele que nos divide, que nos aparta de Deus e um dos outros.

Na confusão das ideologias de nosso tempo, o Santo Padre é uma voz clara para a fé dos cristãos. Na atual crise de liderança pela qual passa o Ocidente, o Romano Pontífice, como ponto central de referência para o cristianismo, é voz de defesa contra o perigo sempre constante frente a sistemas políticos e pressões cerceadoras das liberdades individuais e associativas. A sua defesa pelos pobres, migrantes, vítimas da violência e de injustiças sociais, longe de ser posicionamento ideológico, está em plena consonância com a doutrina social da Igreja, que nos ensina ser a opção preferencial pelos pobres imperativo da própria caridade cristã.

O Papa, tenha ele sido ontem Bento, seja hoje Francisco, é o Bispo de Roma e sucessor de São Pedro, é o perpétuo e visível princípio e fundamento da unidade de todo o corpo eclesial. Neste sentido, o Romano Pontífice, em virtude do seu múnus de vigário de Cristo e de Pastor de toda a Igreja, possui na Igreja poder pleno, supremo e universal. E ele pode exercer sempre plenamente este seu poder (Catecismo da Igreja Católica, 882). O próprio colégio ou corpo universal dos bispos é também detentor do poder supremo e pleno sobre toda a Igreja inteira. Contudo, este poder não pode ser exercido sem o consentimento do Pontífice Romano (Catecismo da Igreja Católica, 883). Entretanto, os bispos não devem ser considerados como vigários do Papa, cuja autoridade ordinária e imediata sobre toda a Igreja não anula, mas antes confirma e defende a autoridade deles, que deve ser exercida em comunhão com toda a Igreja, sob a condução do Papa (Catecismo da igreja Católica, 895). E tudo isto não é criação humana, mas instituição divina. Cristo mesmo instituiu o papado, quando chamou os doze apóstolos e escolheu um deles para ser a pedra fundamental, conferindo-lhe a missão de ensinar, santificar, governar e confirmar na fé os seus irmãos, desta forma apascentando as Suas ovelhas. Este primado petrino o Novo Testamento nos atesta de forma impressionante e abundante em diversas passagens.

Neste sentido, a atitude do bom católico diante deste magnífico mistério confiado à fraqueza humana, é a obediência plena e a devoção filial ao Santo Padre. Ele é o nosso pai espiritual e como a um pai deve ser por nós amado. E onde existe o amor, não pode coexistir o desprezo, a crítica amarga, ácida e destrutiva que atenta contra a própria unidade da Igreja. Atacar o Papa é atacar a unidade de todo o corpo eclesial.

Tratando-se em específico do Papa Francisco, sem dúvida alguma, ele é uma bênção de Deus para o nosso tempo. O seu estilo simples e humilde é um grito profético em uma época de supervalorização da ostentação, quando tantos sofrem sem ter o mínimo necessário para sua digna subsistência. A sua popularidade, mesmo entre não cristãos e até mesmo entre ateus, demonstra o quão elevado é seu prestígio no mundo todo. Atendendo ao seu constante apelo, rezemos por ele. Estudemos, compreendamos e divulguemos o seu pensamento teológico e social como expressão de nossa total e incondicional adesão ao sucessor de Pedro.

Pe. Valtemario S. Frazão Jr.

Entre em contato conosco

Por favor escreva sua mensagem aqui:

0

Comece a digitar e pressione Enter para pesquisar