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Doce Mãe

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Neste 6º Domingo da Páscoa nós celebramos o Dia das Mães, celebrado anualmente aqui no Brasil no 2º domingo do mês de maio por influência norte-americana, ao contrário de Portugal e outros países lusófonos, que o celebram no 1º domingo do mesmo mês. Aqui no Brasil, o Dia das Mães foi instituído pelo presidente Getúlio Vargas, que atendendo ao pedido de grupos feministas, oficializou a data em nosso país em 1932. Já na Igreja, há registros de que o Cardeal Dom Jayme de Barros Câmara inseriu a data no calendário pastoral da arquidiocese em 1947, o que acabou sendo seguido pelos bispos do restante do país.

O dom da maternidade é exaltado nas Sagradas Escrituras desde suas primeiras páginas. É o que podemos observar já no início do livro dos Gênesis, que a despeito de narrar a criação do homem e da mulher com igualdade de dignidade, reconhece que somente ela poderá gerar filhos, ainda que em meio às dores do parto como pena advinda do pecado original (Gn 3,16).

No livro dos Provérbios, a figura da mãe é exaltada como mulher virtuosa, cujo valor supera o das pérolas. Com muita beleza descritiva, o autor sagrado enaltece suas virtudes e obras cotidianas: confiável, bondosa, empenhada, cuidadosa, sábia, precavida, cuida com esmero e responsabilidade das tarefas domésticas, cuida da família, generosa para com os miseráveis e obtém lucro com o seu trabalho de tecelagem (Pr 31, 10-28).

Pelos mistérios da encarnação e da ressurreição do Senhor, Deus, mesmo sendo puro espírito, torna-se Pai de Sua criatura humana. Contudo, já no Antigo Testamento Ele é chamado de Pai. Entretanto, aí esta paternidade no relacionamento com o ser humano aparece sempre por analogia, assim como também a Sua maternidade. Não raras vezes o Antigo Testamento, para expressar o cuidado, a bondade, a docilidade e a generosidade de Deus, compara-O a uma mãe: “Há muito que me calei, guardei silêncio e me contive. Como uma mulher que está em parto eu gemia, suspirava respirando ofegante” (Is 42, 14). “Por acaso uma mulher se esquecerá de sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre? E mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca” (Is 49, 15). “Seus filhinhos serão carregados ao colo, e acariciados no regaço. Como uma criança que a mãe consola, sereis consolados em Jerusalém” (Is 66, 12-13). E o ser humano que busca refúgio e proteção é comparado à criança que procura apoio no colo materno nos momentos de tribulação e alegria. Mas também que se distancia da mãe na construção de sua própria autonomia. Os Salmos explicitam esta realidade a partir da imagem das asas de uma ave (Sl 17,8; 36,8; 57,2; 61,5; 63,8; 91,4). Há ainda outros textos do Antigo Testamento em que a proteção das asas expressa relações simbólicas maternais: “Tal qual águia vigilante sobre o ninho, adejando sobre os filhotes, ele estendeu as asas e o tomou, o transportou sobre sua plumagem” (Dt 32, 11). E mesmo no Novo Testamento esta imagem simbólica é evocada pelo Senhor: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas aqueles que te são enviados! Quantas vezes eu quis reunir teus filhos, como a galinha reúne seus pintinhos debaixo de suas asas… e tu não quiseste!” (MT 23,37; Lc 13,34).

A imagem da mãe é aquela que mais nos aproxima da docilidade, da delicadeza, do carinho, do cuidado e, evidentemente, do amor que Deus tem para com cada ser humano. Na verdade, são várias as qualidades femininas, e mais ainda maternais, que refletem a maravilha de Deus. Daí a necessidade que o homem tem da mulher desde o Paraíso, quando esta foi criada como sua companheira, num sentido mesmo complementar. E dentre todas as qualidades femininas que poderíamos enaltecer, a mais sublime é a maternidade, não como missão imposta pela lei natural, mas como dom divino.

De todos os dons que recebemos de Deus, o mais precioso deles é a vida. Porém, biologicamente, ou na ordem natural, mediada pela maternidade, mas sempre mantida, sustentada e educada na ordem moral. De nossas mães tudo recebemos: a vida, o alimento, a educação, a fé, os valores. São elas que nos ensinam a andar, a falar, a amar. Nossas mães velam nosso sono e nossa vigília, se preocupam conosco, procuram corrigir nossos erros, compreendem nossas fraquezas, sempre nos perdoam e querem sempre a nossa felicidade, assim como é Deus para conosco. Por isso, podemos crer sem sombra de dúvida que a mãe é o reflexo máximo do amor divino.

A maior felicidade de uma mãe é a felicidade dos filhos a partir dos valores e das lições que ela mesma transmitiu ao longo de toda uma vida de dedicação. Ela nos ensina tudo o que é útil para a nossa realização individual e comunitária. O que não presta, desgraçadamente recebeu do mundo. Mas ainda que o mundo os conduza por caminhos tenebrosos, a mãe nunca desiste dos seus filhos e nem deixa de amá-los, mesmo que o filho seja o mais vil dos criminosos. Pensemos nas mães que se sacrificam e passam por humilhações para visitar seus filhos na cadeia. É um amor sofrido, mas sempre amor cheio de esperança pela regeneração do fruto de seu ventre. Às vezes, ser mãe é calvário, mas sempre sacrifício e dedicação.

Pensemos ainda nas mães incansáveis, quase todas, que vivem a famosa dupla jornada, em trabalhar fora e ainda ter de cuidar de casa e filhos, muitas delas mães solteiras, que não tendo um companheiro para dividir o cuidado com os filhos, contam apenas com as suas próprias mães, aquelas matriarcas mais experimentadas, que mesmos que suas filhas já sejam mães, para elas nunca deixarão de ser crianças cuidando de outras crianças, e muitas vezes o são realmente.

Toda mãe tem um sonho: ver seus filhos crescidos e bem encaminhados na vida, para que ela mesma possa descansar e ter uma velhice tranquila e serena com aquela sensação de dever cumprido no que tange a educação dos filhos, cujo resultado maior reflete no próprio acolhimento da mãe na velhice.

Que neste Dia das Mães, todas elas sintam-se acolhidas, amadas e honradas. Pois, da mesma forma que delas tudo recebemos, elas também merecem todo amor, respeito e reconhecimento, não só no Domingo das Mães, mas por toda a vida.

Pe. Valtemario S. Frazão Jr.

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