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Assunção de Nossa Senhora, parte II

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Triunfo da Vida, Socorro Perpétuo

[…] São João Damasceno e São Germano de Constantinopla não temem em ensinar a incorruptibilidade do corpo santo de Maria e sua assunção aos céus como consequência de tantos outros, já concedido a ela em toda a sua vida. A Imaculada, a Virgindade e sua Maternidade desembocam recorrentemente na Assunção, ou seja, a sua ilibação e intimidade com o Verbo Encarnado são coroados com a sua Assunção aos Céus.

Enfim pode o Papa apresentar em forma de solene pronunciamento, ex cátedra, o dogma:

“Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus Onipotente que à Virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua Augusta Mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-Aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a Imaculada Mãe de Deus, a sempre Virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”. (Munificentissimus Deus n. 44)

Feito isto permanece um pequeno embate: ‘Maria morreu ou não? Se o próprio Filho de Deus na sua obediência total ao Pai aceitou e passou pela morte, seria a Virgem Mãe de Deus preservada daquilo que nem ao Filho de Deus foi afastado?’

O debate persiste talvez por razões de ecumenismo, seja porque a Igreja com um todo não está preparada para se posicionar sobre tal realidade: que Jesus teria deixado sua Mãe Santíssima morrer. De qualquer modo são todos unanimes em afirmar que a Virgem Santíssima não conheceu corrupção, mesmo se tivesse morrido a sua carne não foi denegrida. Contudo o dogma afirma apenas que foi assunta em corpo e alma, os fatos que antecederam este evento, se a morte, ou a dormição o Papa silencia.

Não em caráter de argumento acabado, mas muito mais movido por um afeto filial queremos nos posicionar contra aqueles que negam a morte de Maria, Mãe Virginal e Imaculada de Deus. Sabemos que não temos autoridade para resvalar o tema, mas ousadamente queremos argumentar que Maria teria recebido mais um privilégio: o de não ter passado pela morte física.

Isto o afirmamos não simplesmente por razões abstratas, mas pensando com o coração apaixonado por tão maravilhosa Mãe, preferimos acreditar que não tenha morrido aquela que sem pecado fora concebida. Que não mereceu a morte, salário dos degredados pecadores. Que não mereceu tão infame desgraça que nasce da rebeldia humana contra a vontade do Criador. Aquela que antes de deixar a Palavra se encarnar em seu ventre o gerou-A na fé obediente o Filho de Deus.

Assumida a morte pelo Verbo Encarnado como máxima prova de sua Kenosis com o único intuito de na obediência extrema revertesse o mal terrível gerado da desobediência de Adão.

A nova Eva que gerou o Divino Filho de Deus na obediência absoluta e perseverante, não podia sorver do cálice reservado aos insolentes. Se a morte de Cristo nos trouxe a Vida Eterna, e por isso Ele a assumiu, para que também a nossa morte fosse redimida. Ao preservar a Virgem Imaculada, com privilégio único e em vista de Cristo como a sua Conceição, Maria se tornou ícone da sorte que espera os justos, ou na verdade é a resposta de Deus a pergunta que se faz por todos os séculos: “Como seria a humanidade se o pecado não tivesse entrado no mundo?” E ao mesmo tempo ao elevá-la aos Céus antecipou em sua carne a glorificação que acontecerá nos últimos tempos quando todos os filhos de Adão redimidos no Cristo, Novo Adão, gerados pela Igreja, a Nova Eva, passarão pela ressurreição da carne.

Maria não é com isto excluída da sorte do Filho e dos filhos, mas aquela que foi a obra prima das mãos de Deus, para ser Tabernáculo do Altíssimo, agora no Céu é conservada, não como fossilização de um objeto, mas como estandarte da Vitória realizada por Aquele que nove meses nela se abrigou.

É claro que não podemos nos colocar a margem da Tradição e do Magistério da Igreja. Mas se o dogma silencia ao falar da morte de Maria. Se as Escrituras se calam. Se a inspiração do Espírito Santo que levou o Papa a decretar solenemente tal verdade agora devedora de ser crida por todos os fiéis, não o deixou transpor o véu do Mistério e fazê-lo decretar também claramente a sua morte. Por que nós haveríamos de soberbamente contrariar esta Sabedoria oculta aos sábios e entendidos, mas revelada aos pequeninos?

Sabedoria esta que se comprova na experiência, ou seja, quem já ousou falar ao povo simples na fé da morte da Mãe de Deus sem gerar neles o escândalo?

Para proclamar o dogma o Papa consultou os bispos e encomendou que fizesse aos leigos que segundo o Vaticano II não podem segundo o sensus fidei errar.

Sentimentalismo, supertição, ignorância! Acusar-nos-iam…

Contudo os sentimentos são a janela para o conhecimento. Se alma não consegue abstrair tal impressão não se acuse a realidade de ser parca demais para gerar o conceito.

A supertição é o basilar arquétipo da fé, pois ela envolve em suas aporias o transcendente ao imanente, não a deveríamos negar preconceituosamente, pois corremos o risco de rejeitar alguma pedra da construção do depositum fidei que Deus colocou como pedra formosa, escolhida e bem talhada. Adorno sublime do Templo Celeste.

A ignorância seria a privação do conhecimento, mas como os simples conheceriam se não há quem os instrua?

E quem falaria de coisas que a Palavra não se pronunciou, o Espírito suavizou como uma brisa no Monte de Deus.

Assim como na Sexta Feira Santa a Igreja se cala diante da Cruz do Redentor, agora também ela se calou, pois o silêncio de Deus se fez ouvir naquela dramática hora da morte, se assim foi com Filho que clamou ao Pai que lhe livrasse daquela hora, ele sujeitaria a sua Mãe, desnecessariamente a tal suplício?

Hora esta que deprecamos em preces a Maria que ela sem mancha alguma de pecado rogue por nós os pecadores, agora, e na hora de nossa morte. Se ela estivesse em igual condição que a nossa Ela não seria a Esperança dos Pecadores, ou a Estrela da Manhã, e precisaria também ela apelar por ajuda e não ser o Socorro Perpétuo.

Assim aguardamos o posicionamento solene da Igreja. Se alguns teólogos, dignos de nosso respeito e atenção, se colocam a favor da morte, com o povo de Deus simples e devoto à religião, à Fé, à Igreja e à Virgem Maria fazemos coro em defesa da vitória da Vida.

Pe Jacob do Nascimento Ribeiro

Pároco da Paróquia Santo Antônio de Santana Galvão, Diocese de Anápolis-GO

 

Assista também sobre o Dogma da Assunção de Nossa Senhora! (clique aqui!)

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