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Assunção de Nossa Senhora, parte I

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Triunfo da Vida, Socorro Perpétuo

Um grande marco do dogma da Assunção de Nossa Senhora aos Céus se dá partir da Constituição Apostólica Munificentissimus Deus do Papa Pio XII, em Roma no dia 1º de Novembro de 1950, quatro anos e meio depois da sua Carta Encíclica Deiparae Virginis Mariae, onde o Sumo Pontífice consultava a Igreja através de seus pastores e instituições principais, como resposta aos vários apelos junto a Sé Apostólica de que se pronunciasse e promulgasse a respeito do fim da vida da Mãe de Deus.

O Papa inicia a encíclica indo ao interior da Santíssima Trindade, de modo especial sob o seu atributo de Onisciência, e Onipotência. Relembrando a Igreja de que Deus tem um desígnio de Salvação realizado em Jesus Cristo, que ao mesmo tempo se revela nele, e por sua vez é conservado pela Igreja, do qual ela busca sempre melhor compreensão.

Dentre os vários dados da fé a Constituição quer destacar o privilégio da Assunção da Imaculada Virgem.

Destaca o Pontífice que o privilegio da Assunção está conservado ao longo dos séculos também no coração dos fiéis, dom e uma consequência do dogma da imaculada conceição, ou seja, aquela que não conheceu pecado desde o primórdio de sua vida também não haveria de conhecer a corrupção, sorte dos pecadores.

Antes de se pronunciar o Pio XII relembra várias atividades que antecederam a promulgação do dogma, e em seguida apresentará os argumentos a seu favor.

Dentre estas atividades o Papa destaca as orações, estudos, congressos marianos, bem como a consulta que fizera na sua última Carta Encíclica Deiparae Virginis Mariae. E como obterá quase unanime o parecer positivo sobre a sua empreita:

(…) considerando que os bispos de todo o mundo quase unanimemente pedem que seja definida como dogma de fé divina e católica a verdade da assunção corpórea da santíssima Virgem ao céu; considerando que esta verdade se funda na Sagrada Escritura, está profundamente gravada na alma dos fiéis, e desde tempos antiquíssimos é comprovada pelo culto litúrgico, e concorda, inteiramente, com as outras verdades reveladas, e tem sido esplendidamente explicada e declarada pelos estudos, sabedoria e prudência dos teólogos – julgamos chegado o momento estabelecido pela providência de Deus, para proclamarmos solenemente este privilégio insigne da virgem Maria. (Munificentissimus Deus n º 41)

A princípio poderia parecer certo tipo de insegurança por parte do Pontífice, ou que inaugurava um novo método de pronunciamento dogmático, isto é, agora democrático e não mais conciliar, mas na verdade o Papa estava muito mais que envolvendo os fiéis e os pastores em seus embates. Tão pouco recolhendo uma espécie de Santo súbito dogmático. O que de fato acorrera a Pio XII foi que deste modo a sua iniciativa viesse de um coro uníssono do Colégio Episcopal. Que não brotasse de um Motu Próprio, e sim expressão solene da fé da Igreja. Por outro lado o Papa vinha de uma onda, ou reverberação de dois grandes ressonos papais: o dogma da Imaculada Concepção da Virgem Maria e do papel do Sucessor de Pedro apresentados no Concílio Vaticano I.

O que nos leva a perceber uma coerente continuidade, isto é, segue uma linha ininterrupta detectada desde o testemunho dos Apóstolos, das Escrituras, em certo modo, dos Santos Padres, da Liturgia e dos Santos desembocando na declaração solene da Munificentissimus Deus.

Enquanto referenciada no dogma da Imaculada, a Assunção não se estagna no seu evento, mas reverbera em toda a vida de Maria conforme atestam as Escrituras. E que partilhando em tudo da vida de seu Filho Divino não teria também o seu corpo passado pela corrupção.

Emocionante o argumento baseado na liturgia da Igreja recolhida na Constituição. Seja nas celebrações da Dormição, seja da Assunção, ambas falam deste honorífico privilégio.

Na reforma litúrgica animada por Carlos Magno, o Papa Adriano I envia ao monarca o Sacramentário Gregoriano que traz em si uma afirmação referida a Assunta que vale a pena citar: “É digna de veneração, Senhor, a festividade deste dia, em que a santa Mãe de Deus sofreu a morte temporal; mas não pode ficar presa com as algemas da morte aquela que gerou no seu seio o Verbo de Deus encarnado, vosso Filho, nosso Senhor”. Também o Sacramentário Galicano se recolhe semelhante afirmação.

Todos afirmam que antes de tudo o que ocorreu em Maria no final de sua peregrinação terrestre, como em toda sua vida, pregressa ou não a geração virginal de Cristo em seu ventre, mas que é fruto do Beneplácito Divino que generosamente, e com certeza não desvinculado de Jesus, ou em previsão dos méritos d’Ele, lhe concedeu o Senhor também este privilégio de como todos os justos, conforme apresentado no Antigo Testamento (Sl 73, 23; Is 26,19; Os 6, 1-3) não conheceu a corrupção.

Na liturgia bizantina podemos ver em uma de suas orações a consonância dela com a tradição Latina: “Deus, Rei do universo, concedeu-vos privilégios que superam a natureza; assim como no parto vos conservou a virgindade, assim no sepulcro vos preservou o corpo da corrupção e o conglorificou pela divina translação”.

Tudo leva a constatar esta dupla vertente que desemboca no pronunciamento do dogma da Assunção: primeiro o fato de Maria ser alguém cuja predileção inigualável se faz ver em seus vários privilégios que formam, como diz a Constituição Papal, um corolário. Este vinculado a um fluxo que brota da Santíssima Trindade, isto é, deste seu desígnio salvador de Deus em Jesus Cristo que associa ao seu poder divino homens e mulheres concretos durante toda a história da humanidade. E se fazemos uma leitura cristológica destes fatos narrados nas Escrituras percebemos que também Maria, testificado no testemunho e ensinamentos dos Santos Padres, foi prefigurada nas Santas Mulheres do Antigo Testamento. Como aquela que age a favor da salvação dos filhos de Deus.

O dogma da Assunção é visto ainda como consequência lógica, e até passível na sua compreensão do dogma da Imaculada Conceição. Pois se o pecado é causa do mal, cujo mais dramático é a morte (corrupção da vida), também seu corpo não poderia ser profanado. Aquela que durante toda a vida se manteve como que uma Arca da Aliança intocável pelo pecado, e se com a Arca do Antigo Testamento Deus matou os dois sacerdotes que a tocou, quão maior não é o zelo de Deus por aquela que abrigou o autor da vida. Aquela mulher bem aventurada digna de ser chamada pelo próprio Deus Inefável de ‘mamãe’. Deixaria o Filho que sua mãe, o corpo do qual foi gerado o seu Corpo ser profanado. Se ele o Justo, o Santo de Israel foi protegido pelo Pai de que seu corpo sepultado visse a corrupção. Se o Filho e o Pai são um, e ele age como o Pai, não poderia ele permitir a tão Santa Mãe o mal que não lhe foi imputado.

Aquela que acompanhou o Filho em todos os eventos de sua vida também comungaria da sorte de estar logo na presença de Deus na reunião festiva de milhares de milhares de Anjos e Santos. A mulher resgatada do poder do Dragão, que lhe esmagou sua cabeça, e levada em corpo e alma para Cidade Santa, a Jerusalém Celeste.

Pio XII continua a apresentar os embasamentos do dogma recolhendo na história iniciativas de seus predecessores diretamente relacionada a Virgem Assunta, e cita jejuns, títulos e vigílias em honra da Assunção motivadas por vários Papas ao longo da história – Papa Sérgio I, Leão IV, Nicolal I – assim Pio XII encontra paz em também ele ficar agora lembrado como promulgador desta fé também dos seus antecessores. […]

Pe Jacob do Nascimento Ribeiro

Pároco da Paróquia Santo Antônio de Santana Galvão, Diocese de Anápolis-GO

 

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