Natividade de Nossa Senhora

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(…) Caríssimos Irmãos e Irmãs, desejo em primeiro lugar contemplar juntamente convosco, em Maria o Mistério da maternidade intimamente ligado ao da geração.

Maria é Mãe: Mãe de Cristo, Mãe da inteira humanidade. Modelo para toda a maternidade humana. Todas as mães terrenas vêem n’Ela o verdadeiro significado da própria missão: dar a vida e continuar a cultivá-la na totalidade da sua expressão.

Mães que me escutais, como é grande a tarefa que Deus vos confia! Como é importante o vosso papel na educação dos filhos, fruto do amor familiar. Penso nas Mães cristãs do Véneto, que souberam no passado e continuam ainda hoje, a desempenhar o seu papel com abnegação, espírito de sacrifício e fidelidade, transmitindo no seio da família a fé e os perenes valores cristãos.

Penso também em vós, mães dos sacerdotes, associados por um título particular à obra salvífica de Cristo, da qual os vossos filhos são apóstolos e servidores privilegiados. Na Mãe de Deus vós encontrais sustento, especialmente nos momentos de dúvida e de provações. Contemplando-a podeis compreender como são verdadeiras as palavras do apóstolo Paulo: “Porque os que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de Seu Filho, a fim de que Esse fosse o Primogênito de muitos irmãs” (Rm 8,29). (…)

A festa de hoje constitui, portanto, um convite a recordar o dom gratuito que Deus concede a cada um, como fez com Maria.

“Se pela falta de um só pereceu o grande número, com muito mais razão a graça de Deus e o dom contido na graça de um só Homem, Jesus Cristo, se concederam em abundância ao grande número” (Rm 5,15). A salvação é dom.

Seria interessante, e para nós saudável aprofundar os silêncios de Maria no Evangelho, a sua vida “escondida com Cristo em Deus” (cf. Col 3,3). As suas palavras são raras e de abandono total. Só no encontro com a prima, Isabel, o Evangelho de Lucas recorda o seu cântico de louvor, onde “exulta de alegria em Deus” por se terem realizado, por meio da “humilde condição da sua serva”, as suas “grandes coisas” (Lc 1,46-49). Palavras breves, que ressaltam claramente a adoração da criatura, que tem a consciência de estar envolvida, por eleição, no plano de salvação, e repleta, por graça, de toda a bênção espiritual.

A profunda consciência que Maria tem da gratuidade do dom de Deus, torna-se para nós o estímulo para rever a nossa vida, demasiado confiante nos meios humanos, e pouco propensa à contemplação e à oração. Não está aqui a raiz profunda de tantas fraquezas e afastamentos da fé? Não é por isto que a fé sobrevive por vezes, como ato mágico, privado de qualquer invocação sincera e de qualquer abandono confiante na providência onipotente de Deus? (…)

No nascimento de Maria a Igreja já louva o Emanuel, o salvador do povo dos seus pecados (Is 7,14). E dá graças peço dom de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe.

Sob a proteção e por meio da sua intercessão, se cumpra a nossa vocação, segundo o eterno desígnio de Deus.

Ajudai-nos vós, Maria, Mãe da esperança e nascente da vida!

Amém.

 

[Papa João Paulo II. A Virgem Maria – 58 Catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. – Aquino, Felipe Rinaldo Queiroz de (org.). – 7ª. ed. – Lorena: Cléofas, 2006, pp. 59-63.]

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