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450 anos da batalha de Lepanto

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Nos próximos dias celebraremos a memória de Nossa Senhora do Rosário, exatamente a 07 de outubro. E neste 2021 a memória da Virgem do Rosário será especial, visto que celebramos os 450 anos da vitória na Batalha de Lepanto. A memória de Nossa Senhora do Rosário foi instituída pelo Papa São Pio V no aniversário da vitória dos cristãos sobre os turcos otomanos na batalha naval de Lepanto (1571), Mar da Grécia; vitória que fora atribuída à intercessão e auxílio da Santíssima Virgem Maria, invocada com a oração do Rosário. Inclusive, foi a partir daí que o Papa Pio V inseriu na Ladainha Lauretana o título “Auxílio dos Cristãos”, atribuído à Santa Mãe de Deus. Esta vitória foi crucial para a liberdade dos cristãos e para a própria sobrevivência do cristianismo no Ocidente, visto a grande ameaça do projeto expansionista do Império Turco Otomano, que já tinha tomado Constantinopla em 1453 e desde então, vinha invadindo regiões europeias já tomadas por árabes e turcos seljúcidas. Por isso, nestes meados do século XIV, os reinos cristãos europeus do Sul da Europa passaram a promover grandes investidas militares contra a islamização da região. A própria guerra pela reconquista da Península Ibérica faz parte deste processo.

Assim, preocupado com o avanço do Império Turco Otomano no Ocidente Europeu, principalmente após a tomada da Ilha de Chipre pelos mesmos otomanos em 1570, tendo eles ainda posicionado uma esquadra de navios na Ilha de Creta e na Península do Peloponeso, consolidando assim o domínio otomano na região do Mar Mediterrâneo, o Papa Pio V articulou uma reação unindo a República de Veneza, a quem pertencia a Ilha de Chipre, e outros estados cristãos, como o Reino de Espanha, os Cavaleiros de Malta e os Estados Pontifícios, que juntos formaram a chamada Liga Santa para reagir ao Império Muçulmano.

Contudo, em um primeiro momento, ainda em 1570, o Papa Pio V não obteve muito apoio, haja vista que estes estados a quem o Pontífice recorreu tinham também seus problemas internos ainda decorrentes da Revolução Protestante. Entretanto, ainda assim, contando com o apoio de voluntários dos Cavaleiros de Malta, e das marinhas de Veneza, da Espanha e dos Estados pontifícios, o Sumo Pontífice conseguiu montar uma esquadra de 208 embarcações munidas de 44 canhões. Em 16 de setembro os aliados, liderados por João D’Áustria, partiram da província de Messina, da região da Sicília, Sul da Itália, rumo ao Largo de Lepanto, na Grécia. E a 07 de outubro de 1571enfrentaram 230 embarcações turcas fortemente equipadas.

Ocorre que o Papa Pio V via no avanço otomano verdadeira ameaça à liberdade religiosa na Europa, haja vista a islamização imposta pelo Império Otomano nas regiões por ele dominadas. Assim, consciente do fato de que aquela empreitada por ele organizada era mais que uma batalha naval, mas antes uma batalha espiritual, Pio V fez todos os soldados se confessarem, comungarem e fazerem orações e penitências clamando a misericórdia divina; por isso, cada embarcação tinha um padre capelão para assistir os combatentes. E aos cristãos em continente, o Romano Pontífice conclamou para que combatessem com a força de jejuns, penitências e orações, principalmente a oração do Santo Rosário. Assim, em diversos lugares foram feitas procissões e orações públicas pedindo a intervenção dos céus em favor dos cristãos.

A batalha foi verdadeiramente muito sangrenta. A mancha de sangue no mar se espalhou por quilômetros. E apesar da desvantagem numérica e bélica para a Liga Santa, os turcos perderam mais de 200 embarcações e cerca de 30 mil homens, ao passo que do lado cristão foram pouco mais de duas dezenas de embarcações perdidas e cerca de 8 mil soldados mortos; porém, 12 mil cristãos feitos prisioneiros foram libertados. Assim, a batalha de Lepanto pôs um fim definitivo ao domínio mulçumano sobre o Mediterrâneo e ao seu projeto expansionista rumo à Europa. A esta vitória por parte dos cristãos, atribuiu-se uma intervenção especial da Santíssima Virgem e Senhora do Rosário, neste 7 de outubro de 1571 invocada em vista do bom êxito sobre os muçulmanos otomanos.

Assim, o Santo Rosário, que já gozava de grande popularidade entre os cristãos, diga-se de passagem, em boa parte graças ao empenho missionário de São Domingos de Gusmão, passa a gozar de uma grande e especial importância, considerado como verdadeira arma no combate contra todo tipo de investida do tirano inimigo que procura de todas as formas subjugar os filhos de Deus e aniquilar os valores evangélicos dos corações e da própria sociedade.

A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à oração da Liturgia das Horas. Contudo, uma oração não exclui a outra, antes colaboram mutuamente na meditação dos mistérios de Cristo, exercício espiritual que nos conduz tão eficazmente à intimidade com o Senhor. E esta intimidade o Santo Rosário nos proporciona pela mediação da própria Mãe do Senhor. A Jesus por Maria!

Maria é a mulher feliz e bendita de nossa fé. Figura da Igreja, ela é a orante perfeita. Quando rezamos a ela e com ela, colocamo-nos à disposição do Pai e exaltamos com ela as maravilhas que o Senhor realizou nela e por ela em favor do mundo. Com ela e por ela elevamos nossas súplicas, oferecimentos e louvores a Deus. Quando rezamos o Santo Rosário, assim como João, o discípulo amado, nós acolhemos Maria, a Mãe de Jesus, como nossa própria Mãe e a ela nos unimos em esperança, na expectativa de também a ela nos juntarmos na feliz eternidade para sempre cantarmos os louvores de Deus.

Os Sumos Pontífices sempre louvaram e vivamente recomendaram a devoção ao Santo Rosário. Foram dezenas de bulas e cartas encíclicas a favor desta santa devoção, sem falarmos dos decretos e rescritos, muito mais numerosos ainda, oriundos das congregações romanas, pelo que fica mais que evidenciada a grandessíssima importância que o Rosário tem na vida da Igreja Católica. Só o Papa Leão XIII promulgou doze encíclicas e dez decretos ou constituições sobre o Rosário. Inclusive, foi o mesmo Leão XIII que em 1883 instituiu o mês do Rosário, fazendo-o obrigatório para toda a Igreja como verdadeira graça pontifícia.

O Rosário é ainda um estímulo e uma verdadeira exortação a viver segundo as exigências evangélicas que ele desperta e cultiva em nossas almas. Sendo ele o “resumo dos evangelhos”, fortalece a fé católica, que se renova com a meditação dos santos mistérios, faz crescer a devoção a Maria, eleva o espírito a Deus e reanima a esperança na felicidade eterna.

Neste mês de outubro, mês do Santo Rosário e das Santas Missões, rezemos o Rosário e dele façamos instrumento eficacíssimo de missão evangelizadora, propagando a devoção que da forma mais simples nos proporciona a contemplação dos mistérios que nos valeram a redenção, que nos possibilitam o conhecimento de Cristo e a comunhão com Ele.

Pe. Valtemario S. Frazão Jr.

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