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Conhecemos a afeição que o papa João Paulo II tinha por São Luis de Montfort. Dele havia tomado a divisa: “Totus Tuus” “Todo teu inteiramente (oh Maria)”. Que alegria poder tê-lo acolhido em Saint Laurent sur Sèvre no dia 19 de Setembro 1996. Ele, o Papa vinha ajoelhar-se diante do tumulo do seu amigo, antes de iniciar a sua sétima viajem apostólica em França. Na sua memória estava ainda muito presente a surpreendente confidencia que nos havia feito por ocasião do 50o aniversário da sua ordenação sacerdotal: “Houve um momento no qual de certa forma pus em questão o meu culto por Maria considerando que ele, dilatando-se excessivamente, acabasse por comprometer a supremacia do culto devido a Cristo. Então serviu-me de ajuda o livro de São Luís Maria Grignion de Montfort com o título Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Encontrei nele a resposta às minhas perplexidades. ”

 

Actualmente, como João Paulo II, são já numerosos os que compreenderam a originalidade, a fecundidade e a actualidade da doutrina espiritual deste grande santo. No momento de retornar a casa, em que recebemos a missão de ser testemunhas de Jesus Cristo até “aos confins da terra”, em que recebemos a missão de “ir e fazer discípulos de todas as nações”, é bom tomar como nossas as cinco convicções de São Luis de Montfort. Elas resumem-se em cinco fórmulas lapidárias que ilustrarei a partir de algumas das suas citações:

 

1. Comparativamente a Deus, Maria não é nada: “Confesso com toda a Igreja que Maria é uma pura criatura saída das mãos do Altíssimo. Comparada, portanto, à Majestade infinita ela é menos que um átomo, é, antes, um nada, pois que só ele é Aquele que é” (TVD 14)[1]. Eis como curar todas as formas de mariolatria. 

 

2. Mas com Maria chegamos mais rapidamente a Cristo: “Se a devoção à Santíssima Virgem nos afastasse de Jesus Cristo, seria preciso rejeitá-la como uma ilusão do demônio; … esta devoção só nos é necessária para encontrar Jesus Cristo, amá-lo ternamente e fielmente servi-lo” (TVD 62). Eis como se confirma que Cristo se encontra bem no centro da doutrina marial de São Luis Maria.

 

3. Com Maria e por meio do Cristo, vamos directamente ao coração do mistério da Trindade: “Deus Pai só deu ao mundo seu Unigénito por Maria...  Em Maria e por Maria é que o Filho de Deus se fez homem para nossa salvação. Deus Espírito Santo formou Jesus Cristo em Maria, mas só depois de lhe ter pedido consentimento (TVD 16). Eis como chegar ao coração da Fé: Deus se revela Unico em três pessoas que querem nos ensinar a amar-nos como elas se amam.

 

4. Com Maria e graças à Trindade, fazemos despertar em nós o nosso Batismo:A consagração a Maria, (era deste modo que terminavam todas as missões feitas por Montfort), na realidade não é senão uma “perfeita renovação dos votos ou promessas do santo Batismo"(TVD 126).  Trata-se de “por meio do batismo despir a túnica horrenda da escravidão tirânica do príncipe das trevas”(SM 34)[2]. Eis como despertar em nós o nosso Batismo, e tornarmo-nos enfim verdadeiros batizados (imersos na vida do Cristo que deveriamos ser).

 

5. Por fim, com Maria, os verdadeiros batizados provam a verdade da sua fé pela verdade da sua caridade para com os mais pobres: Colocando-se ao seu serviço claro está.

 
 
 
 
Extraído de uma homilia de 27 de Abril 2012, de sua Excelência Monsenhor François Garnier
Arcebispo de Cambrai, França
Tradução Irmã Lúcia Vitória do Imaculado Coração de Maria - Fraternidade Arca de Maria

[1]"Tratado da Verdadeira Devoção". Nova edição e apresentação do Padre François-Marie Lethel : "L'Amour de Jésus en Marie", ad solem, 2000.

[2]"Segredo de Maria" de São Luis de Montfort

 
     

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